ENTREVISTAS TheMusic.me - Brasil Grime Show

Não tem como não falar de Grime hoje no Brasil, sem falar no BGS

Nome artístico: Brasil Grime Show
Redes Sociais: @brasilgrimeshow

A TheMusic.me bateu um papo muito maneiro com o pessoal do Brasil Grime Show, um dos projetos de referência na cena do Rap brasileiro. Falamos um pouco sobre a história do grupo, movimentação do trabalho, sobre a cena do Grime e do Drill , desafios que a pandemia do Covid-19 trouxe.

Na ativa desde 2018, o BGS é um programa audiovisual, coletivo de produção para internet, produtora e selo musical. Um movimento inspirado pelas rádios de Londres como Pyro e Reprezent Radio, que conta hoje com mais de 65 mil inscritos em seu canal no youtube e foi responsável por revelar diversos artistas e promover encontros históricos para a cena do Grime brasileiro.

O projeto é formado pela união da correria de Yvie O. (@yvieeeee), DiniBoy (@diniboy13), Rennan Guerra (@rennxnguerrx), Diego Padilha (@diegopadilha) e Lucas Sá (@louquera) e  Wander Scheffer (@wanscheeffer), com gravações do programa feitas no estúdio Casa do Meio (@casadomeio_).

Como surgiu a ideia de fazer o programa? Como foi o start para vocês?

Yvie O.:

  • Foi uma ideia que surgiu do Mateus(@diniboy13) e do Lucas(@louquera) e foi primordial os dois terem uma conversa, porque foi a partir daí que começaram os convite. 

  • O @diniboy13 já tocava Grime e o @louquera já botava fé nisso. 

  • A gente já tinha tido um contato através da “I Hate Flash" com o Kojey Radical, quando ele veio pra cá. Então através de um coletivo que a gente participava, que era o coletivo Bruk Broken Beats, tentamos pegar um edital, que não deu certo, e o line foi todo focado em música eletrônica, a galera realmente se reunia para estudar e a festa era formada pelos produtores residentes dessa festa(...)a partir daí, o @diniboy13 e  @louquera se juntaram para fazer os convites.

E como funciona o processo de produção e seleção dos convidados  do BGS?

  • Hoje a gente tem uma organização mais tranquila para fazer, a gente pegou o jeitinho, então a gente já sabe o que pode e o que não pode, os horários que são legais de usar…

  • Rola toda uma pré-produção,mas basicamente hoje nós temos o processo seletivo dos MC 's, que é feito pelo Diniboy, principalmente. A gente escuta todo mundo e aí seleciona a galera (…) Ouvir, ver como é a métrica, a rima, mandar os beats pros caras,independente de volume de seguidores e essas coisas, é a métrica da pessoa...

  • Tem um período que a gente abre uma seletiva e a galera manda um email se apresentando com um material de trabalho. Daí quando o @diniboy13 faz essa aprovação, a galera vai para uma fila de espera e quando a gente tem a liberação do estúdio, eu(@yvieeeee) entro em contato com essa galera toda, fecho os horários, mando um DJ Set de referência para eles treinarem em casa, mas nao é o DJ Set do programa, lá é realmente improviso com eles ali.

Como é que vocês se definem hoje ?

Yvie O.:

  • O BGS começou como um programa, hoje nós somos uma produtora de conteúdo e programa de Youtube. A gente também trabalha a parte de mídias com outros artistas. Já fizemos curadoria no festival da budweiser, por exemplo. São coisas que a gente tem feito sempre…

  • A gente saiu daquele eixo de ser só uma parada youtuber, isso com certeza. 

Como é fazer Grime no Rio de Janeiro?

Lucas Sá:

  • O Grime existe no brasil há muito tempo, é uma parada que já rolou, mas o formato que a gente faz não existia, ta ligado?

  •  Uma parada aqui no Rio que a gente sofre muito, é que as coisas funcionam muito na zona sul…Temos muito dessa questão da descentralização mesmo, da gente fazer com que as pessoas não tenham que ir para zona sul  pra enxergar o bagulho legal, tá ligado?

  • Nosso próprio grupo é muito espalhado. A Yvie é da baixada, o DiniBoy é do Engenho Novo, na Zona Norte, o único da Zona Sul é o Padilha, Lucas Sá de Realengo e o Rennan é de Bango mas morou um tempo em Realengo também. Então fez muito sentido pra gente fazer essa parada lá (Bangu)... Movimentar mesmo a cena, a área e toda essa questão.

Quais ou quem são as referências de vocês?

Yvie O. :

  • Lá de fora, a gente conheceu  primeiro o Skepta, JME… Vários artistas que vem de uma realidade muito parecida da nossa. Quando a gente foi se aprofundar no Grime nacional, a gente viu muitas pessoas também dessa realidade.

Lucas Sá:

  • Eu acho que de alguma forma, todos os artistas que a gente trabalha são referências pra gente, não tem um em especifico… Referências nossas de programas, são os programas da MTV de antigamente, da multishow...Pegavam novos artistas ali, ao vivo, em um cenariozinho, gera uma outra curiosidade…

Quais são os nomes que indicariam da nova cena?

Yvie O. :

  • O que mais eu admiro, que a gente teve troca, foi a Áurea Semiseria, ela já é de outro eixo, ela é do nordeste(...)

  • Acredito muito no potencial do BRUNO KROZ, está para vir um EP dele, inclusive.É um garoto também lá de Salvador.

  •  Curto muito o trabalho do BAKKARI, que é do Ceará. Uma galera lá de cima, que tá com um potencial muito irado... estão produzindo materiais de muita qualidade, com muito pouco, mas produzindo muito bem seus materiais. 

  • E para cá, eu tenho acompanhado bastante o trabalho do Well. É um mano lá de Belo Horizonte, ele já tem até grime lançado com Djonga, e tem vários trabalhos na pista muito irados... Ele trabalha com produtores musicais bem massa também.

Vocês acham que o programa tem um papel importante na cena?

Yvie O. :

  • O artista Brasil Grime Show, além do programa, se tornou uma referência pra galera, até em uma questão de recomendação. Hoje em dia a gente tem a playlist oficial do Brasil Grime Show, e a gente coloca tudo que tá se movimentando, tudo que tá acontecendo… Os artistas que a gente trabalha acabam se tornando referências para muita gente.

Vocês sentem que pra galera que está começando, colar no  BGS, serve como uma espécie de trampolim?

Luca Sá:

  • Eu não vejo o BGS como trampolim, eu o vejo mais como uma vitrine...

  • Ainda não tem um circuito de show, por exemplo, que possam fazer um ao vivo, ainda mais com a pandemia, tá ligado ? A pandemia agravou isso bizarramente(…) Antes mesmo, o espaço também era muito  pequeno, por conta também desse bagulho da centralização da zona sul, tá ligado ?

  • A gente procura muito exaltar o DJ, o produtor... quem comanda o programa é o DJ, e o Grime tem raiz de dub, têm raiz de reggae, então o MC está ali tentando ir na onda do DJ.

A gente queria entender, como é a relação de vocês com a cena lá fora ?

O Covid acabou atrapalhando a questão de eventos,né... Mas eles que nos procuraram, na real, foi muito doido. O primeiro a fazer contato com a gente foi o Grandmixxer(...), aí começou a mandar material para os meninos, exclusivo...  o Tyrone 2 do Mez, antes de sair eles já tinham os beats.

Vocês acreditam que o drill está moldando o rap hoje? Tem uma nova cena chegando? Vocês são fruto desse movimento ou o começo disso tudo?

  • Eu vejo que o crescimento do drill se dá por conta de uma facilidade de interação com outros estilos ... Acho que o Drill conversa muito com o trap, conversa muito com o rap, com o funk, tá ligado ? E isso gera uma proximidade maior da galera com o drill... 

  • O Grime é mais "eletrônicozão", tá ligado? Nem todo mundo consegue, mas não porque não pode, nem todo mundo consegue porque é uma parada que dedica muito tempo, muito estudo... E por, exemplo, a galera que não se via muito bem no trap, consegue se ver mais no drill, ele consegue desenvolver mais as coisas no drill... acho por conta da similaridade no conceito da parada

  • Assim como no trap, o que prevalece são os artistas que realmente fazem um bom trabalho, no drill vai acontecer a mesma coisa... Eu não acredito que o Drill supere o Grime, acredito que eles vão caminhar muito lado a lado… Não é uma competição, sabe? (Yvie)”

  • O Grime é como se fosse o Funk lá em Londres (…) A galera sofria repressão tal qual um baile de favela (...) Acho que rola essa conversa entre uma cultura e outra.

Qual episódio do BGS é imperdível para quem acabou de conhecer o programa ?

Lucas Sá:

  • É complicado esse negócio de qual programa mandar primeiro. Eu sempre penso em alguns. O do Fleezus, Febem e Diniboy foi um que marcou bastante... 

  • A gente já estava fazendo alguns episódios com a galera do rio e esse foi com uma galera de São Paulo, que já vinham com uma bagagem e uma caminhada bem grande, captou muito o que é o Grime.

A Themusic.me agradece enormemente o Brasil Grime Show por essa entrevista. um dos projetos musicais com maior potencial na cena brasileira!

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